Tirar o CNAI é a parte fácil.
Você faz o curso, é aprovado, se inscreve pelo COFECI e recebe o número. Em poucos meses está certificado como Avaliador de Imóveis. Parabéns — e agora?
Foi aí que eu descobri que a certificação era o começo, não o fim. Entre ter o CNAI e receber o primeiro processo de um juiz existe uma jornada que nenhum curso ensina, porque ela não é técnica: é de apresentação, presença e confiança.
Este é o caminho que eu percorri — não a regra oficial, mas o relato de quem fez.
Vale dizer de saída: tirar o CNAI vale a pena mesmo que você nunca faça um laudo judicial. A certificação agrega ao currículo e muda o modo como o mercado te enxerga.
Mas se o objetivo é atuar como perito judicial, o CNAI é a porta de entrada — não a sala.
O primeiro passo formal é se inscrever como auxiliar da justiça. No TJ-SP o processo é todo online, o que facilita bastante.
O que importa nessa etapa é o que você informa. Tudo que se refere a análise e cálculo de imóvel conta: cursos de atualização do CRECI, formações em avaliação, e mesmo coisas que parecem laterais — um curso de HP 12C, por exemplo, entra, porque demonstra domínio das ferramentas de cálculo que a avaliação exige.
Não subestime essa parte. É o único momento em que o sistema te avalia por escrito, sem que ninguém te conheça.
Preparei um currículo voltado especificamente para a atuação pericial — não o currículo de corretor, mas o de avaliador. E anexei um laudo.
Isso foi importante: em vez de dizer que sabia fazer, mostrei um trabalho pronto, com metodologia, homogeneização e conclusão fundamentada. Quem recebe tem como julgar seu trabalho antes de te confiar um processo.
Essa é a parte que assusta e não deveria.
Fui ao fórum me apresentar. Falei primeiro com o diretor do cartório — é ele quem conhece a rotina das varas e sabe quando falta perito. Algumas vezes consegui falar com o juiz.
E aqui vai o que eu gostaria que alguém tivesse me dito: não é uma sabatina técnica. É uma apresentação. Você diz que está apto e disponível para realizar laudos de avaliação imobiliária conforme as normas, deixa o currículo, e pronto.
Ninguém vai te arguir sobre Ross-Heidecke no balcão do cartório.O que se avalia ali é se você é uma pessoa séria, presente e disponível — três coisas que faltam mais do que se imagina.
Depois vem a espera. E quando o primeiro processo chega, ele carrega um peso que os seguintes não têm.
Se ele sair impecável — bem fundamentado, bem formatado, com documentação completa —, você entra na lista mental de quem funciona. Se sair com problemas, dificilmente há segunda chance.
Olhando para trás, o que mais me custou não foi a norma nem o tribunal. Foi compilar as informações e fazer os cálculos manualmente, laudo após laudo — e depois conferir tudo, várias vezes, porque não podia errar.
É por isso que construí o MaxPTAM. Não para substituir o julgamento do avaliador, que é insubstituível, mas para que a parte mecânica não consuma o tempo e a atenção que deveriam estar na análise.
Maurício Salomão é corretor de imóveis e avaliador (CRECI/SP 313681-F, CNAI 57363), atuando como perito avaliador junto ao TJ-SP. É o criador do MaxPTAM, sistema para elaboração de pareceres técnicos de avaliação mercadológica conforme a ABNT NBR 14.653 e a Resolução COFECI 1.066/2007.
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